Bissau (Angop, 8 de Outubro de 2013) - O primeiro-ministro de Timor-Leste, Xanana Gusmão, chorou segunda-feira ao constatar as más condições de alguns quartéis do exército guineense, no dia em que trocou o fato civil por uma farda militar.
O primeiro-ministro timorense está a cumprir o terceiro de quatro dias de visita oficial à Guiné Bissau e estava acompanhado pelo general António Indjai, chefe do Estado-Maior General das Forcas Armadas guineense, líder do golpe de Estado realizado pelos militares em 12 de Abril de 2012.
O contacto com as chefias militares guineenses acontece um dia depois de o governante e antigo líder da resistência timorense ter pedido aos políticos e militares da Guiné Bissau, num discurso no Palácio da Presidência, para acabarem com golpes de Estado e conflitos internos que estão a arrastar o país para a miséria.
Hoje, a realidade dos quartéis deixou-o abalado. “Fui militar, não posso compreender como é possível que aqui vivam e trabalhem militares”, disse Xanana Gusmão aos jornalistas, tomado em lágrimas, e sem entrar em detalhes”.
“Vesti-me assim (com farda militar) para poder estar mais à vontade com os meus camaradas”, observou Xanana Gusmão, ao chegar ao quartel do Estado-Maior General, onde foi recebido por uma parada constituída pelas chefias militares guineenses.
Após cumprimentar os presentes com continência e um firme aperto de mão, Xanana Gusmão depositou uma coroa de flores no mausoléu de Amílcar Cabral (pai da independência da Guiné Bissau e Cabo Verde) e percorreu depois, demoradamente, todas as dependências do Estado-Maior.
De seguida, e já no gabinete do líder militar guineense, Xanana Gusmão entregou algumas lembranças a Indjai, nomeadamente panos tradicionais, estatuetas e livros de Timor-Leste.
“Peço que todos os chefes militares deste vosso país leiam este livro”, recomendou Gusmão, ao entregar ao general um exemplar de um livro sobre a história da resistência timorense.
No final, em breves declarações, Xanana Gusmão questionou as condições em que os militares guineenses vivem e trabalham, mas foi levado por lágrimas.
“Peço paciência aos meus camaradas das Forças Armadas da Guiné Bissau. Dias melhores virão”, afirmou Xanana Gusmão.
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