quinta-feira, 17 de outubro de 2013
Guiné-Bissau é o último lusófono no Índice Ibrahim de Governação Africana
Luanda (AngolaPress, 16 de Outubro de 2013) – A Guiné-Bissau é o último dos países africanos de língua portuguesa no Índice Ibrahim de Governação Africana 2013 e está entre os 10 mais mal classificados, tendo caído para a 46.ª posição entre os 52 países analisados. Angola é o penúltimo país, entre os PALOPs.
Segundo o índice, nesta segunda – feira divulgado pela Fundação Mo Ibrahim, a Guiné-Bissau reúne 37,1 pontos em 100, abaixo dos 38,8 registados em 2000. Em termos relativos, o país cai do 38.º para o 46.º lugar no mesmo período.
Entre os 16 países da África Ocidental, a Guiné-Bissau surge em último lugar, com uma classificação muito abaixo da média da região (52,5 em 100).
O índice Ibrahim de Governação Africana avalia uma série de critérios, agrupados em quatro categorias: Segurança e Estado de Direito; Participação e Direitos Humanos; Oportunidade Económica Sustentável; e Desenvolvimento Humano.
O maior declínio da Guiné-Bissau deu-se na categoria Participação e Direitos Humanos, em que perde 14,3 pontos e desce 17 lugares na classificação. Ainda assim, esta é a categoria em que o país está mais bem colocado.
Na categoria Segurança e Estado de Direito, por exemplo, a Guiné-Bissau surge em 47.º lugar entre os 52 países, o que representa uma queda de 11 posições desde 2000.
A África Ocidental, onde se encontra Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e a Guiné-Bissau é a terceira melhor das cinco regiões africanas analisadas no IIGA 2013 e tem sido assim desde 2000, excepto em 2011, quando ficou em segundo lugar.
Cabo Verde é o melhor país desta região e o terceiro nos 10 melhores lugares do continente, enquanto a Guiné-Bissau é o pior da região e um dos dois países nos 10 últimos lugares a nível continental.
A lista dos cinco melhores do continente é encabeçada pelas ilhas Maurícias, seguida do Botsuana e, depois de Cabo Verde, surgem as ilhas Seychelles e África do Sul. No fim da tabela estão a Somália, República Democrática do Congo, Eritreia, República Centro-Africana e Tchad.
A Fundação Mo Ibrahim, homónima do milionário sudanês que a criou em 2006, apoia a boa governação e a liderança em África e elabora anualmente o Índice Ibrahim, que visa informar e ajudar os cidadãos, sociedade civil, parlamentos e governos a medir o progresso.
CLASSIFICAÇÃO:
3. Cabo Verde
As classificações de Cabo Verde são superiores ao nível médio do continente (51,6) e superiores aos restantes países da sub-região da África Ocidental (52,5).
11. São Tome & Príncipe
As classificações de São Tomé & Príncipe são superiores ao nível médio do continente (51,6) e superiores aos restantes países insulares (52,5).
20. Moçambique
As classificações de Moçambique são superiores ao nível médio do continente (51,6) e inferiores quando comparadas com os restantes países da sub-região da África Austral (59,2)
39. Angola
As classificações de Angola são inferiores ao nível médio do continente (51,6) e inferiores quando comparadas com os restantes países da sub-região da África Austral (59,2)
46. Guiné-Bissau
As classificações da Guiné-Bissau são inferiores ao nível médio do continente (51,6) e inferiores quando comparadas com os restantes países da sub-região da África Ocidental (52,5).
quinta-feira, 10 de outubro de 2013
"os distúrbios de terça-feira em Bissau foram orquestrados para "desacreditar" os esforços para realização de eleições no país." disse Embaixador da Nigeria na GB
O
embaixador da Nigéria na Guiné-Bissau, Ahmed Maigida Adams, considerou
hoje que os distúrbios de terça-feira em Bissau foram orquestrados para
"desacreditar" os esforços para realização de eleições no país.
O diplomata falava em conferência de imprensa na sua residência, às portas da capital guineense.
Rumores de que nigerianos estariam a raptar crianças levaram a
população a espancar até à morte um cidadão natural da Nigéria e a
apedrejar a embaixada daquele país.
Os distúrbios levaram ao encerramento da principal avenida de Bissau
pelas forças de segurança, que dispararam tiros para o ar e dispersaram a
multidão com gás lacrimogéneo.
"Nada pode estar mais longe da
verdade" do que os rumores de haver nigerianos ligados "a raptos de
crianças e tráfico de órgãos humanos", destacou Ahmed Maigida Adams.
"São acusações sem fundamento", sublinhou, referindo que o episódio
teve como finalidade "desacreditar os esforços da Nigéria e da
Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) para a
realização de eleições" na Guiné-Bissau.
O diplomata acusou
"inimigos do progresso" de provocar a desestabilização, sem especificar
quem são, e garantiu que o incidente não afetará as relações entre a
Nigéria e a Guiné-Bissau.
Segundo Ahmed Maigida Adams, o número de nigerianos a viver em território guineenses pode ascender a cerca de sete mil.
"A Nigéria não tem nenhuma outra intenção" para além de ajudar a
implementar "a paz e a estabilidade", sublinhou, acrescentando que tanto
o seu país como a CEDEAO "veem como bem sucedido este processo", numa
alusão à preparação de eleições gerais.
O diplomata destacou
que a Nigéria mantém boas relações com a Guiné-Bissau desde a
independência do país, em 1973, e que o atual governo de transição "já
beneficiou de mais assistência financeira do que qualquer outro"
executivo guineense.
Ahmed Maigida Adams disse acreditar que a
Nigéria conseguirá contribuir para a pacificação da Guiné-Bissau, da
mesma forma que "já foi bem sucedida" em outros países da África
Ocidental.
quarta-feira, 9 de outubro de 2013
UM COMPROMISSO PELA PAZ ASSINADA PELOS LIDERES MILITARES E OS PARTIDOS POLITICOS
general António Indjai, líder dos militares que em 2012
protagonizaram um golpe de Estado na Guiné-Bissau, é o primeiro
subscritor de um compromisso pela paz assinado na terça-feira pelas
forças vivas do país.
O documento resultou de um encontro promovido em Bissau pelo primeiro-ministro de Timor-Leste, Xanana Gusmão, no final de uma visita de quatro dias ao país.
O chefe do Estado-maior general das Forças Armadas guineenses foi o primeiro a assinar o compromisso “para uma mudança radical de atitudes e comportamentos”, rubricado por cerca de duas dezenas de representantes de entidades do país.
António Indjai saiu do encontro com um sorriso rasgado, mas escusou-se a prestar declarações aos jornalistas.
No documento, os membros das forças vivas sociais, políticas e militares da Guiné-Bissau comprometem-se a realizar reformas nos sectores da “defesa, segurança, justiça e administração pública”.
“As Forças Armadas comprometem-se a respeitar o resultado das eleições e a formação do governo” ao qual devem exigir, “sem uso da força”, um plano que reconheça “o papel que alguns membros assumiram na luta armada” pelo país, refere o documento lido em voz alta, antes de ser assinado.
Os partidos políticos “comprometem-se a colaborar numa plataforma de acção cívica para o estabelecimento de um estado de direito democrático e de afirmação da cidadania”.
“Todos comungamos da urgente necessidade de pôr fim a um historial negro que desde 1980 tem vindo a desprestigiar a pátria de Amílcar Cabral”, sublinha o documento, numa alusão aos sucessivos golpes de estado, assassínios e confrontos internos.
Xanana Gusmão considerou tratar-se de um “documento histórico” e depositou-o nas mãos de um representante do Supremo Tribunal de Justiça guineense, como testemunho para gerações vindouras.
O documento resultou de um encontro promovido em Bissau pelo primeiro-ministro de Timor-Leste, Xanana Gusmão, no final de uma visita de quatro dias ao país.
O chefe do Estado-maior general das Forças Armadas guineenses foi o primeiro a assinar o compromisso “para uma mudança radical de atitudes e comportamentos”, rubricado por cerca de duas dezenas de representantes de entidades do país.
António Indjai saiu do encontro com um sorriso rasgado, mas escusou-se a prestar declarações aos jornalistas.
No documento, os membros das forças vivas sociais, políticas e militares da Guiné-Bissau comprometem-se a realizar reformas nos sectores da “defesa, segurança, justiça e administração pública”.
“As Forças Armadas comprometem-se a respeitar o resultado das eleições e a formação do governo” ao qual devem exigir, “sem uso da força”, um plano que reconheça “o papel que alguns membros assumiram na luta armada” pelo país, refere o documento lido em voz alta, antes de ser assinado.
Os partidos políticos “comprometem-se a colaborar numa plataforma de acção cívica para o estabelecimento de um estado de direito democrático e de afirmação da cidadania”.
“Todos comungamos da urgente necessidade de pôr fim a um historial negro que desde 1980 tem vindo a desprestigiar a pátria de Amílcar Cabral”, sublinha o documento, numa alusão aos sucessivos golpes de estado, assassínios e confrontos internos.
Xanana Gusmão considerou tratar-se de um “documento histórico” e depositou-o nas mãos de um representante do Supremo Tribunal de Justiça guineense, como testemunho para gerações vindouras.
terça-feira, 8 de outubro de 2013
PM de Timor-Leste chora ao ver más condições de quartéis na Guiné Bissau
Bissau (Angop, 8 de Outubro de 2013) - O primeiro-ministro de Timor-Leste, Xanana Gusmão, chorou segunda-feira ao constatar as más condições de alguns quartéis do exército guineense, no dia em que trocou o fato civil por uma farda militar.
O primeiro-ministro timorense está a cumprir o terceiro de quatro dias de visita oficial à Guiné Bissau e estava acompanhado pelo general António Indjai, chefe do Estado-Maior General das Forcas Armadas guineense, líder do golpe de Estado realizado pelos militares em 12 de Abril de 2012.
O contacto com as chefias militares guineenses acontece um dia depois de o governante e antigo líder da resistência timorense ter pedido aos políticos e militares da Guiné Bissau, num discurso no Palácio da Presidência, para acabarem com golpes de Estado e conflitos internos que estão a arrastar o país para a miséria.
Hoje, a realidade dos quartéis deixou-o abalado. “Fui militar, não posso compreender como é possível que aqui vivam e trabalhem militares”, disse Xanana Gusmão aos jornalistas, tomado em lágrimas, e sem entrar em detalhes”.
“Vesti-me assim (com farda militar) para poder estar mais à vontade com os meus camaradas”, observou Xanana Gusmão, ao chegar ao quartel do Estado-Maior General, onde foi recebido por uma parada constituída pelas chefias militares guineenses.
Após cumprimentar os presentes com continência e um firme aperto de mão, Xanana Gusmão depositou uma coroa de flores no mausoléu de Amílcar Cabral (pai da independência da Guiné Bissau e Cabo Verde) e percorreu depois, demoradamente, todas as dependências do Estado-Maior.
De seguida, e já no gabinete do líder militar guineense, Xanana Gusmão entregou algumas lembranças a Indjai, nomeadamente panos tradicionais, estatuetas e livros de Timor-Leste.
“Peço que todos os chefes militares deste vosso país leiam este livro”, recomendou Gusmão, ao entregar ao general um exemplar de um livro sobre a história da resistência timorense.
No final, em breves declarações, Xanana Gusmão questionou as condições em que os militares guineenses vivem e trabalham, mas foi levado por lágrimas.
“Peço paciência aos meus camaradas das Forças Armadas da Guiné Bissau. Dias melhores virão”, afirmou Xanana Gusmão.
segunda-feira, 7 de outubro de 2013
Eleito líder do Partido da Convergência Democrática da Guiné-Bissau
Gabú, Guiné-Bissau - O advogado e empresário Vicente Fernandes foi eleito domingo, presidente do Partido da Convergência Democrática (PCD) da Guiné-Bissau durante a terceira convenção nacional da organização,disse à agência Lusa fonte partidária.
No encontro realizado na cidade de Gabú (leste do país), Vicente Fernandes prometeu desenvolver um programa de Governo que refunde o Estado guineense,que promova a justiça social, a juventude e os quadros profissionais.O novo líder defendeu uma "terceira via" no cenário político, dominado pelo Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC) e o Partido da Renovação Social (PRS).
Vicente Fernandes admitiu ainda juntar-se a uma "ampla coligação" de partidos que comunguem dos mesmos ideais que o PCD.
A convenção nacional que decorreu durante o fim-de-semana em Gabú reuniu cerca de 350 delegados do partido também conhecido por "baguera" (abelha, em crioulo), formado por jovens quadros guineenses depois da abertura do país ao multipartidarismo, nos anos 90.
O presidente eleito, empresário do sector da água mineral, era o único candidato à sucessão de Vítor Mandinha, antigo ministro das Finanças, líder do PCD desde a fundação, em 1991.
O Partido da Convergência Democrática nunca ganhou eleições na Guiné-Bissau, nas quais sempre participou.
Vítor Mandinga é o único deputado do PCD na Assembleia Nacional Popular, embora representando a coligação formada com a Frente Democrática (FD), liderada pelo seu irmão, Jorge Mandinga.
domingo, 6 de outubro de 2013
Manuel Serifo Nhamadjo condecora Xanana Gusmao
Bom dia a todos. Quando forem 10h00 de Bissau, o Presidente da Republica Manuel Serifo Nhamadjo vai receber no palacio da Republica, o Primeiro Ministro da Republica do Timor Leste, comandante Xanana Gusmao que se encontra de visita oficial a GB. Esse encontro tera seu ponto alto na cerimonia de condecoracao que o Chefe de Estado guineense fara ao PM do timor lorosai. A cerimonia de galardoacao contara com a presenca de corpo diplomatico acreditado no pais, representantes de organismos internacionais, membros do governo, do parlamento, da sociedade civil e militar e ainda organizacoes religiosas. De referir que esta e a primeira visita que Xanana Gusmao efectua a GB. contamos trazer mais pormenores dessa importante acto que vai certamente servir de uma ligacao frutuosa entre os dois paises e povos.
sábado, 5 de outubro de 2013
LGDH: corpo de um militar guineense descoberto com sinais de catanadas
Comunicado de Imprensa
No quadro da sua missão de promoção e proteção dos direitos humanos, a Liga Guineense dos Direitos Humanos registou com tristeza a denuncia da morte de um cidadão nacional em circunstâncias por esclarecer. Trata-se de Rafael Baindara Sambú de 36 anos de idade, militar afecto ao Batalhão de Fortaleza de Amura, onde está instalado o Estado Maior General das Forças Armadas.
Segundo informações recolhidas junto dos familiares, este militar com categoria de Furriel, recebeu uma chamada telefónica, cuja origem se desconhece, com carácter de urgência no dia 21 de Setembro 2013, que o convocou para se apresentar no seu aquartelamento militar no quadro dos serviços de prevenção que estava em curso naquele período. Depois de vários contactos sem sucesso para o localizar, no dia 26 do corrente mês os familiares tomaram conhecimento através de anúncios via rádio da existência de um corpo em Nhoma arredores de Bissau, que viria a ser identificado pelos mesmos, sendo que o corpo apresentava sinais de catanadas.
Na democracia e no estado de direito, a vida humana é o valor supremo, fundamento e a razão da existência do próprio estado, conquanto, a sua preservação e proteção se traduzem nas obrigações fundamentais das instituições públicas e privadas, independentemente das circunstâncias envolventes ou condições existentes.
Nesta perpsectiva, a LGDH exige das autoridades judiciarias competentes a abertura de um inquérito conclusivo e transparente tendente a esclarecer as circunstâncias da morte da vitima, e consequente identificação e tradução à justiça dos autores morais e materiais de mais este ato hediondo e bárbaro.
Por fim, a Direção Nacional da Liga se associa aos familiares do malogrado neste triste momento de dor e consternação em que se encontram, rogando a Deus que a sua Alma descanse em paz.
Pela Paz, justiça e Direitos Humanos
Feito em Bissau, aos 03 dias do mês de Outubro 2013
quarta-feira, 2 de outubro de 2013
Nota à Imprensa: Balanço da Missão Presidencial à sexagêsima oitava Sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas
Nova Iorque (Missão Permanente da Guiné-Bissau nas Nações Unidas, 1 de Outubro de 2013)
– Chefiada pelo Presidente da República de Transição Manuel Serifo
Nhamajo, a Missão da Guiné-Bissau as Nações Unidas foi coroada de êxito
em toda a linha.
Em primeiro lugar, pela qualidade do discurso proferido pelo Presidente. O seu discurso foi feito de lucidez, de humildade e de determinação. Não bastava dirigir-se à Assembleia Geral, também era preciso falar bem. E o Presidente dirigindo-se a mais abrangente de todos os areópagos internacionais – a plenária das Nações Unidas – falou muito bem.
Em segundo lugar, pela atenção muito positiva que foi dada ao nosso país por parte de duas organizações regionais de que fazemos parte – a CEDEAO e a CPLP -, cuja avaliação politica pesa muito, por razões que são obvias, quer na caracterização da conjuntura política interna, quer na evolução da conjuntura diplomática (externa) da Guiné-Bissau. O presidente em exercicio da CEDEAO o Presidente da República da Costa de Marfim, Alassane OUATARRA, e o presidente em exercicio da CPLP o Presidente da República de Moçambique, Armando GUEBUZA caucionaram clara e solidariamente o processo de Transição Política em curso na Guiné-Bissau. Na mesma linha e no mesmo tom falaram os Presidentes Johnatan Goodluck (da Nigéria), Macky Sall (do Senegal) e Mathan Ruak (de Timor Leste).
Em terceiro lugar, pela qualidade do diálogo encetado pelo Presidente Nhamajo quer com o Vice-Secretário Geral das Nações Unidas para os Assuntos Políticos, o senhor Jeffrey FELTMAN, quer com a representante do Departamento de Estado dos Estados Unidos da América, a senhora Linda Thomas-GREENFIELD.
Ambos os interlocutores do Presidente guineense:
Sobre essa questão política decisiva, quer interna quer externamente, que é a questão eleitoral, o Presidente Nhamajo mostrou-se vinculado ao seu próprio decreto que fixou para 24 de Novembro de 2013 a data das próximas eleições gerais (legislativas e presidenciais), aliás, em linha com a decisão da Cimeira dos Chefes de Estado da CEDEAO (de que ele é membro na sua qualidade de Chefe de Estado da Guiné-Bissau) que limitou até 31 de Dezembro de 2013 o periodo de Transição Política no nosso país.
O apurado sentido das realidades – a propósito, nomeadamente, do
financiamento do conjunto do processo eleitoral – ditou a necessidade de
ponderar outros cenários, caso venha a revelar-se tecnicamente não
exequível o cumprimento do calendário eleitoral que foi inicialmente
fixado. Nesse aspecto, ficou claro que, em caso de derrogação, a
iniciativa de alteração do calendário eleitoral previsto seria
determinada apenas por razões objectivas, isto é, por razões que sejam
compatíveis com a percepção das realidades por parte da comunidade
internacional e com os anseios legítimos do povo guineense.
O Presidente Serifo Nhamajo ainda teve encontros com os seus homologos da Guiné-Equatorial e de Timor, respectivamente, o Presidente Obiang N’Guema e o Presidente Matan Ruak, abordando com eles várias questões de interesse bilateral.
E, para fechar este apontamento, seguem três últimas notas de caracter social:
Em primeiro lugar, pela qualidade do discurso proferido pelo Presidente. O seu discurso foi feito de lucidez, de humildade e de determinação. Não bastava dirigir-se à Assembleia Geral, também era preciso falar bem. E o Presidente dirigindo-se a mais abrangente de todos os areópagos internacionais – a plenária das Nações Unidas – falou muito bem.
Em segundo lugar, pela atenção muito positiva que foi dada ao nosso país por parte de duas organizações regionais de que fazemos parte – a CEDEAO e a CPLP -, cuja avaliação politica pesa muito, por razões que são obvias, quer na caracterização da conjuntura política interna, quer na evolução da conjuntura diplomática (externa) da Guiné-Bissau. O presidente em exercicio da CEDEAO o Presidente da República da Costa de Marfim, Alassane OUATARRA, e o presidente em exercicio da CPLP o Presidente da República de Moçambique, Armando GUEBUZA caucionaram clara e solidariamente o processo de Transição Política em curso na Guiné-Bissau. Na mesma linha e no mesmo tom falaram os Presidentes Johnatan Goodluck (da Nigéria), Macky Sall (do Senegal) e Mathan Ruak (de Timor Leste).
Em terceiro lugar, pela qualidade do diálogo encetado pelo Presidente Nhamajo quer com o Vice-Secretário Geral das Nações Unidas para os Assuntos Políticos, o senhor Jeffrey FELTMAN, quer com a representante do Departamento de Estado dos Estados Unidos da América, a senhora Linda Thomas-GREENFIELD.
Ambos os interlocutores do Presidente guineense:
- realçaram o magistério presidencial de Manuel Serifo Nhamajo, desempenho que constitui um activo importante na condução do ciclo político que é a Transição Política na Guiné-Bissau;
- reiteraram o bom momento diplomático que atravessa a Guiné-Bissau, hoje rodeada de atenções muito positivas por parte da comunidade internacional;
- mostraram também que esse capital político-diplomático, de que hoje goza a Guiné-Bissau, tem de ser bem aproveitado, isto é, bem gerido na frente interna.
Sobre essa questão política decisiva, quer interna quer externamente, que é a questão eleitoral, o Presidente Nhamajo mostrou-se vinculado ao seu próprio decreto que fixou para 24 de Novembro de 2013 a data das próximas eleições gerais (legislativas e presidenciais), aliás, em linha com a decisão da Cimeira dos Chefes de Estado da CEDEAO (de que ele é membro na sua qualidade de Chefe de Estado da Guiné-Bissau) que limitou até 31 de Dezembro de 2013 o periodo de Transição Política no nosso país.
Fernando Delfim da Silva, Ministro dos Negócios Estrangeiros, da Cooperação Internacional e das Comunidades
O Presidente Serifo Nhamajo ainda teve encontros com os seus homologos da Guiné-Equatorial e de Timor, respectivamente, o Presidente Obiang N’Guema e o Presidente Matan Ruak, abordando com eles várias questões de interesse bilateral.
E, para fechar este apontamento, seguem três últimas notas de caracter social:
- O Presidente Manuel Serifo Nhamajo e sua Esposa, acompanhados pelos membros da delagação guineense, fez uma visita guiada a Estátua da Liberdade em Nova Iorque, um local turístico de grande interesse histórico;
- Como ainda não tinha chegado à Nova Iorque o Presidente Nhamajo, coube ao Ministro dos Negócios Estrangeiros da Guiné-Bissau participar num almoço oferecido conjuntamente pelo Presidente Barack OBAMA e pelo Secretário-Geral Ban KI-MOON aos chefes de delegação à Assembleia Geral no dia 24 de Setembro de 2013, que, por sinal, foi o dia do quadragésimo aniversário da proclamação da independência da Guiné-Bissau;
- O Ministro dos Negócios Estrangeiros acompanhado do Secretário de Estado Idelfrides Fernandes, representou o Presidente da República de Transição na festa da nossa independência nacional, realizada na cidade de Providence, e que foi organizada pela comunidade guineense radicada nos Estados Unidos da América.
terça-feira, 1 de outubro de 2013
Guiné-Bissau espera ajuda do Brasil para eleições de Novembro
Nova Iorque (30 de Setembro de 2013) – Declaração foi feita em entrevista à Rádio ONU pelo presidente de transição do país africano de língua portuguesa, Manuel Serifo Nhamadjo; líder guineense teme que posição coletiva da Cplp impeça auxílio brasileiro.
O presidente de transição da Guiné-Bissau afirmou à Rádio ONU que seu país está contando com a ajuda do Brasil para a realização das eleições gerais, marcadas inicialmente para 24 de novembro.
Em entrevista exclusiva à Rádio ONU, pouco antes de discursar na Assembleia Geral, o presidente Manuel Serifo Nhamadjo elogiou o apoio que o Brasil tem dado a seu país, há vários anos, mas disse que receia mudanças por causa da situação política gerada com o golpe de 12 de abril na Guiné.
Ao ser perguntado se a tecnologia do sistema de urnas eletrônicas no Brasil poderia ajudar à Guiné, o presidente respondeu:
“Sim, o Brasil poderia ajudar bastante. Só que o presidente Ramos Horta esteve lá, eu não sei o que é que se evoluiu e acredito que também que dentro desta comunidade Cplp, da posição que tem em relação aos acontecimentos de 12 (de abril) poderá contribuir para esse recuo na participação do Brasil. Não sei, não sei…”
Há vários anos, o Brasil lidera a estratégia de paz para a Guiné-Bissau na Comissão de Consolidação da Paz das Nações Unidas. O país também realiza ações de apoio ao desenvolvimento no contexto da Cooperação Sul-Sul.
O presidente da Guiné-Bissau lembrou ainda das relações de seu país com outras nações lusófonas dentro da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa.
“E nisso reconhece que o Brasil foi sempre um país que ficou em dar apoio e certamente continuará, assim como os outros. Aliás, Cabo Verde é um país de relações históricas muito sólidas, não são esses pequenos incidentes que vão criar problemas ou que vão pôr em causa essa nossa relação histórica e com São Tomé, a mesma coisa. E falando de São Tomé, fala-se de Angola, de Moçambique, são todos países irmãos e nós temos uma cumplicidade histórica, que é impensável dizer que teremos problemas de maior. Há um incidente, que deve ser analisado e situá-lo no seu momento, no seu contexto, para que depois das eleições, o país se reencontre, todos esses países irmãos, para o desenvolvimento que todos desejamos.”
Ao retornar à tribuna da Assembleia Geral, após dois anos sem discursar na casa, o presidente da Guiné-Bissau pediu o apoio de todos os países da ONU para restaurar a ordem constitucional na Guiné.
“Aguarda simplesmente o apoio internacional para que possamos iniciar o recenseamento sem o qual as eleições não poderão ter lugar. Portanto é importante, é imperativo que a comunidade internacional nos apoie na realização, no recenseamento fiável para que as eleições possam ocorrer num ambiente de tranquilidade.”
O Escritório das Nações Unidas na Guiné-Bissau, Uniogbis, que é liderado pelo ex-presidente do Timor-Leste, José Ramos Horta, está trabalhando junto com autoridades guineenses no apoio da realização das eleições.
Segundo Ramos Horta, vários doadores internacionais estão à espera de um protocolo claro sobre a realização do pleito para que possam fazer suas promessas de doação financeira.
Nova Iorque (30 de Setembro de 2013) – Chanceler português foi recebido pelo Secretário-Geral, Ban Ki-moon, neste sábado em Nova York.
As Nações Unidas expressaram neste sábado sua esperança de que Portugal continue a oferecer seu apoio duradouro à Guiné-Bissau e ao Timor-Leste.
A declaração foi feita pelo Secretário-Geral Ban Ki-moon durante um encontro com o ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, Rui Machete.
O chanceler português discursou neste sábado, na Assembleia Geral da ONU, onde comentou a situação política na Guiné-Bissau, que sofreu um golpe de Estado em 12 de abril. Machete explicou o que seu país tem feito para ajudar a resolver o impasse político na nação africana de língua portuguesa.
“Portugal prossegue bilateralmente e enquanto membro da União Europeia, e da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa e das Nações Unidas, e em coordenação estreita com a União Africana e a Cedeao esforços para ajudar o povo guineense a ultrapassar a atual crise. (…) O retorno à ordem constitucional e a consequente normalização das relações da Guiné-Bissau com a comunidade internacional impõem a realização de eleições presidenciais e legislativas nos termos do compromissos assumido pelas atuais autoridades guineenses e conforme foi reiterado pelo Conselho de Segurança no seu comunicado de 11 de setembro.”
No encontro com Ban Ki-moon, o chanceler de Portugal também discutiu a necessidade de restauração da ordem constitucional na Guiné-Bissau e os desafios enfrentados na região do Sahel. Os dois líderes falaram sobre a Síria e elogiaram a resolução 2118, adotada pelo Conselho de Segurança na sexta-feira, e que condenou o uso de armas químicas no país.
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